lunes, 11 de julio de 2011

El Laberinto del Fauno

O filme de Guilhermo del Toro combina realidade e fantasia para tratar dos horrores do período pós Guerra Civil na Espanha. A película conta a história de Ofélia, uma menina romântica que viu seu mundo desmoronar quando a mãe, Carmen, resolveu viajar com ela para um pequeno vilarejo ao encontro do capitão Vidal. Ele é o padrasto de Ofélia, um cruel militar que integra as forças Franquistas e será o antagonista na dura realidade com a qual a garotinha terá que lidar.

De um lado, Ofélia vê o mundo real representado pela opressão imposta por seu padrasto. Sua frieza e truculência são vistas no modo como controla a sua casa e também como combate os seus adversários. O cineasta aproveita para explorar o cenário político da época através da violência imposta pelo Estado e pela força militar que não medem esforços para destruir e massacrar as resistências republicanas. Entretanto, os combatentes que se escondem no bosque próximo à casa de Vidal lutam até o fim, mostrando a coragem daqueles que se opuseram ao poder fascista de Franco. Entre eles, destaca-se Mercedes, uma cozinheira de Franco que age dentro de sua casa, ajudando seu irmão e outros homens de um grupo de resistência.

Em oposição, a garota mergulha no onirismo e ludicidade das fábulas que tanto gosta e insiste em ler, ainda que repreendida por sua mãe e seu padrasto. Em meio à angústia de ver a mãe grávida e doente dominada por Vidal, Ofélia encontra um labirinto e, nele, um fauno que lhe apresenta um mundo muito mais libertador. O fauno, personagem da mitologia romana, é um ser com características simultâneas de homem e de bode. Ele expõe à Ofélia uma nova visão de si mesma. Ao invés de ser uma garota indefesa, órfã de pai e, em breve, órfã de mãe também, ela é uma princesa que há muitas vidas teria se perdido do seu reino. O rei, seu pai, nunca teria desistido de encontrá-la, mas ela teria de cumprir três tarefas para poder retornar.

Ofélia se dividirá ao longo da história entre os desafios do mundo real e do onírico. Em ambos nada será fácil, mostrando que a fantasia no filme não cumpre o papel de ignorar a realidade, mas de tentar suportá-la. O filme adota uma estratégia bem-sucedida de inserir uma nova perspectiva sobre contextos de guerra e massacre, por meio do olhar infanto-juvenil apoiado na esperança.


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