miércoles, 13 de julio de 2011

O labirinto do fauno

Guillermo Del Toro nasceu em Guadalajara, México e sempre gostou de filmes de suspense, declarando ter sofrido grande influência de Alfred Hitchcock.

Dirigiu vários filmes de sucesso, sempre buscando causar calafrios no público. Sua consagração aconteceu com labirinto do fauno, filme mexicano, ambientado em 1944, logo após a vitória do general Francisco Franco no pós-guerra fascista.

O filme lhe rendeu seis indicações ao Oscar em 2007, vencendo em três categorias: Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Maquiagem, sendo ainda indicado ao Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro.

O filme tem como cenário a Guerra civil espanhola com toda a sua violência e a fúria sanguinária dos franquistas. Neste ambiente hostil encontram-se a menina Ofélia, brilhantemente interpretada por Ivana Baquero e sua Mãe Carmen (Ariadna Gil) que está grávida do capitão Vidal (Sergi lopes), militar sanguinário no combate aos anarquistas e republicanos e Mercedes (Maribel Verdú) jovem cozinheira da casa que se torna grande amiga de Ofélia e é o contato secreto dos rebeldes.

É este cenário envolto na penumbra com cenas de violência explícita, mas não gratuita, e que nos faz retorcer na poltrona que Ofélia uma menina de dez anos se encontra e quando a realidade se torna avassaladora a fantasia pode vir em nosso socorro. Neste novo mundo Ofélia é uma princesa amada por todos. Seres mitológicos como o fauno, portas que são desenhadas e se abrem, um livro mágico que a orienta e a eterna luta do bem contra o mal são ingredientes oferecidos pelo autor.

Neste universo masculino a mulher é tratada com descaso e desprezo, sua invisibilidade é tamanha que Mercedes conspira debaixo dos olhos do capitão Vidal sem ser percebida ela é uma mulher politicamente resolvida, segura de seus ideais, mas que mantém sua ternura.

O “capitão Vidal” é um fascista que com o apoio da Igreja comete atrocidades. Neste arranjo familiar Ofélia é hostilizada pelo padrasto que não se preocupa em esconder seu sadismo e descaso pela mulher.

Fantasia e realidade se misturam, não há limites para os toques surrealistas de Del Toro, parece-nos um grande livro de fábulas de terror.

Trazer seres horrendos esteticamente e imbuídos de bondade, contrasta com a maldade de vidal que faz com que ele seja o mais vil e asqueroso dos personagens.

A mensagem que fica é a da sobrevivência, mesmo que para isto tenhamos que adentrar em universos desconhecidos.

Um labirinto de esperanças e possibilidades surge como alternativa para não se enlouquecer de dor, é um portal para um mundo mais colorido.

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