martes, 9 de agosto de 2011

Cela 2011

O filme faz uma forte crítica ao sistema prisional espanhol (FIES) contando a história de Juan, um agente penintenciário recém-contratado que resolve fazer uma visita ao local de trabalho na véspera do dia marcado para a sua admissão. Nesta oportunidade ele sofre um acidente bem no momento em que estoura um motim na ala em que está vistoriando, onde ficam os detentos mais perigosos do complexo. Seus colegas o abandonam desacordado na cela 211 e fogem. Juan necessita, então, usar todo o seu poder de dissimulação para fazer com que todos e principalmente o líder, Malamadre, acreditem que ele é apenas mais um detento recém-chegado à unidade para cumprir sua pena por assassinato.

A principal moeda de negociação dos amotinados são três presos políticos do grupo separatista ETA, onde a possibilidade de morte de qualquer um deles poria em risco a estabilidade da negociação pela parada dos ataques terroristas do grupo em território espanhol. Juan usou sua influencia tentando ao máximo evitar uma invasão do presídio pela tropa de elite da polícia, pois sabia que a sua vida estaria em risco caso este evento ocorresse. Uma das formas de se evitar a invasão do presídio era manter a vida dos reféns.

O filme trata de escolhas erradas, tanto a de Juan ao decidir visitar o trabalho antes da data quanto à de sua esposa, grávida, que ao saber da rebelião pela TV e desconfiada pelas informações passadas pelo presídio resolve ir até a porta do complexo e morre em um confronto entre guardas da unidade e familiares revoltados pela falta de informações. Ao saber da morte da sua mulher, Juan se desepera e o líder da rebelião, sensibilizado pela situação, exige a presença do guarda responsável pela morte da esposa de Juan como condição para prosseguir nas negociações. Aproveitando a oportunidade os detentos começam a espancá-lo e, neste momento, ele revela a todos a verdadeira identidade de Juan que o mata para calá-lo.

Juan se vendo traído pelo sistema, que deveria ter resguardado a integridade de sua esposa, se revolta, assume o assassinato do colega e exige do governo espanhol o fim do FIES sob pena de execução de todos os presos políticos. Neste momento o filme mostra que a ideologia de “O Príncipe” de Maquiavel, onde os fins justificam os meios, ainda tem grande aplicabilidade, principalmente quando o governo e sua máquina institucional se veem acuados. O governo arranja uma forma de confirmar ao líder do motim a verdadeira identidade de Juan e fornece armas a informantes infiltrados entre os detentos para que seus interesses sejam resguardados. Juan morre durante a invasão dos policiais alvejado pelos detentos que a serviço do governo, tentam obter vantagens próprias.

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