Acredito que o filme “O Labirinto do Fauno” dirigido por Guilhermo Del Toro, deva provocar várias reflexões em quem assiste. Eu pensei na crueldade do ser humano e o quanto isso pode transformar a personalidade principalmente de uma criança, a Ofélia e o Vidal, porque este foi criança um dia. Realidade ou fantasia? Acho que o autor deixou a mercê de cada um de nós, o filme contém um pouco das duas coisas. Realidade quando aborda a violência da guerra civil espanhola, na pessoa de um capitão fascista das tropas do General Franco que combate os rebeldes contra este regime ditatorial, o que nos é próximo, a história da América Latina está cheia de semelhanças. E fantasia na figura mítica do Fauno e de fadas em um ambiente mágico sim, porém tenso, sombrio, úmido e escuro.
É a segunda vez que assisto a este filme e nas duas vezes não consegui deixar de refletir sobre a perda da inocência, estou falando em termos de realidade, mas, realidade e fantasia podem ser cruéis, uma pode ser reflexo da outra e requererá escolhas de acordos com convicções. Quem acredita em duendes, fadas e seres míticos, sabe que Ofélia voltou para seu reino e governou com sabedoria até o final dos tempos. Outros acreditam que com a morte ela se libertou do mundo que a oprimia. Uns acreditam que Vidal é o vilão e que merecia ser castigado com a morte. Outros talvez o imaginem vítima e a morte foi sua redenção. Torno a repetir o autor nos permite fazer muitas viagens, a minha foi essa.
Mas não assistiria novamente, não gosto muito de filmes com esse efeito de luz, a escuridão me assusta, estou na fase das comédias românticas, sonhar e sorrir, é um santo remédio. Mas recomendo, é um filme maravilhoso, provoca reflexões, portanto bem feito e por isso ganhador de muitos prêmios.
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