martes, 9 de agosto de 2011

Comentário sobre o Filme "Cela 211"

O filme “Cela 211” retrata o sistema carcerário espanhol e possui uma história fictícia em paralelo que auxilia o desenrolar da trama.
Para o autor do filme, descrever este sistema carcerário não deve ter sido nada fácil: corrupções, violência, subornos, o controle do poder dentro da cadeia... Tudo isso isoladamente dentro de uma película talvez não conseguisse impressionar, chamar tanta atenção para os direitos humanos ou mobilizar a opinião pública. Exatamente! Talvez a realidade nua e crua não conseguisse por si só chamar a atenção do público, mas a ficção retratada pelo casal Juan e Elena consegue fazer com o telespectador se coloque no lugar das personagens.
Assim como no filme “O Labirinto do Fauno”, quando pontuo o fato de “passarmos a admitir o inadmissível” no momento em que Ofélia – uma criança – mata o Capitão Vidal, o telespectador também consegue se ver/ sentir no lugar de Juan quando este perde a esposa e entende a sua ação desesperada ao se vingar daquele que matou sua mulher. Aí, compreende-se, por exemplo, como algo momentâneo pode levar uma pessoa para o lado de dentro de uma cadeia e, estando lá, o que esta pode passar.
Do lado de fora, enquanto inocente, é muito fácil julgar e criticar aquele que esta lá dentro e dar a mínima para o que ocorre: se um presidiário é tratado adequadamente ou não, se há uma estrutura física ou não para receber e instalar todo um contingente, qual a postura e a formação ética e moral daqueles que fazem parte da força policial... Por isso afirmo que a história fictícia consegue mobilizar o público e mesmo chamar a atenção até para os direitos humanos: as pessoas costumam se importar, sentir, compreender as coisas quando estas parecem mais próximas.

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